O Dia em que Tudo Começou
No dia 17 de março de 2026, às 20h, Laschuk — gestor de email marketing com mais de R$20 milhões em vendas acumuladas pelo canal — ligou a câmera no YouTube e começou a construir o EmailHacker.ai ao vivo. A proposta era ambiciosa: criar uma plataforma de email marketing autônomo durante streams públicas, provando em tempo real que é possível vender R$1.000.000 coletivamente por email. A primeira stream durou 4 horas e 59 minutos, terminou com R$0 em receita rastreada, mas entregou 11 projetos funcionais e 30 beta testers cadastrados antes da meia-noite.
O EmailHacker.ai não é um SaaS tradicional. É o que a Y Combinator chama de "vertical AI agent" — um agente que substitui não apenas o software, mas a equipe inteira que opera esse software. No modelo convencional, um gestor de email marketing precisa de copywriter, analista, dev integrador e ele mesmo operando o ActiveCampaign. No EmailHacker.ai, esses 4 profissionais se transformam em agentes de IA que executam dentro do próprio produto. O gestor só aprova.
O Primeiro Disparo: 3.400 Emails sem Tocar no ActiveCampaign
A demonstração que abriu a stream foi cirúrgica. Laschuk digitou o comando `/send` no Claude Code, informou que estava ao vivo e queria chamar sua base para assistir. O sistema consultou o "Brain" — um banco de conhecimento interno que armazena todo o histórico de decisões e execuções do projeto — definiu um briefing estratégico com ângulo, gatilhos mentais e tom de voz, gerou 4 opções de subject line, e escreveu o corpo do email usando a metodologia do livro "Open, Click, Buy" de John Benson, convertida em pipeline automatizado.
O HTML foi renderizado com design consistente, imagem do produto e CTA direcionando para a live. O disparo atingiu 3.400 contatos segmentados pela taxa de abertura via Pulse (mais de 50% de open rate nos últimos envios). O detalhe técnico que ninguém documenta: a API oficial do ActiveCampaign não oferece endpoint para disparo de email. O EmailHacker.ai hackeou a API criando a campanha via `POST /campaigns`, associando a mensagem HTML via `POST /campaigns/{id}/message`, e ativando com `PUT /campaigns/{id}/status` usando status 1 e `sdate` no passado para forçar o scheduler interno do ActiveCampaign a disparar imediatamente.
O MCP (Model Context Protocol) customizado do EmailHacker.ai expõe 25+ ferramentas que o Claude Code usa diretamente: `email_create`, `email_send`, `campaigns`, `segments`, `tags`, `engagement`, entre outras. Nenhuma dessas ferramentas existe no MCP oficial do ActiveCampaign, que se limita a listar contatos, tags e campanhas sem capacidade de disparo.
Onboarding ao Vivo: Do Zero ao Primeiro Webhook
Com o email disparado, Laschuk demonstrou o fluxo completo de onboarding do EmailHacker.ai usando uma conta sandbox do ActiveCampaign. O processo tem 3 etapas: criar conta com email e senha, colar a API URL e API Key do ActiveCampaign, e copiar a URL de webhook gerada automaticamente para dentro da Hotmart.
A URL de webhook segue o formato `https://emailhacker.ai/api/webhooks/hotmart/{token}`, onde cada usuário recebe um token único armazenado na tabela `user_webhook_tokens` do Supabase. Na Hotmart, o usuário seleciona "Todos os produtos" e "Todos os eventos" (compra completa, cancelada, carrinho abandonado, chargeback, Pix gerado, etc.), cola a URL e salva.
No momento em que o primeiro webhook chegou — um evento de teste simulado pela Hotmart — o EmailHacker.ai processou o payload, criou o contato no ActiveCampaign via `/contact/sync`, inscreveu na lista via `/contactLists`, criou um ecommerce customer via REST e registrou a order com dados completos do produto (nome, valor, cupom, canal). A integração nativa Hotmart-ActiveCampaign que o mercado não oferece apareceu funcionando em menos de 2 minutos, com o logo da Hotmart visível na ficha do contato dentro do ActiveCampaign.
O sistema de missões de onboarding recompensou cada etapa: +5 créditos por conectar o ActiveCampaign, +3 por configurar o webhook, +10 por receber o primeiro evento. Ao final do onboarding básico, o usuário já tinha 18 créditos sem gastar nenhum.
Pulse: Entregabilidade com 1 Clique
O Pulse é o agente de entregabilidade do EmailHacker.ai, e sua instalação foi demonstrada ao vivo com 1 clique no botão "Instalar Pulse". Em segundos, o sistema criou automaticamente 12 campos customizados no ActiveCampaign do usuário: SENDS (total de emails enviados), OPENS (total de aberturas), CLICKS (total de cliques), NO_OPEN (sequência de emails não abertos), NO_CLICK (sequência de emails abertos sem clique), LAST_SEND_DATE, LAST_OPEN_DATE, LAST_CLICK_DATE, OPEN_RATE, CLICK_RATE, CTOR (click-to-open rate) e STATUS.
Além dos campos, o Pulse criou 5 automações completas via API — algo que a documentação oficial do ActiveCampaign não ensina e que a maioria dos gestores considera impossível. As automações são: Signal (registra envio via tag), Open (registra abertura), Click (registra clique), Eval (avalia se o contato deve ser removido) e Clean (remove contatos mortos).
O Pulse também criou 4 tags operacionais e 2 segmentos inteligentes: "Ghosts" (contatos com 6+ emails sem abrir) e "Bots" (contatos com 10+ aberturas e zero cliques, suspeitos de serem bots da Apple Mail Privacy Protection).
A lógica do Pulse é fundamentalmente diferente da recomendação oficial do ActiveCampaign, que sugere segmentar por "atividade recente" (abriu nos últimos 7, 14, 21, 30 dias). Laschuk demonstrou na stream por que essa abordagem falha: um lead que abriu 1 email em 7 enviados tem apenas 14% de taxa de abertura real, mas seria classificado como "super engajado" pelo método padrão. O Pulse conta emails sequenciais sem abertura — se o contato ficar 6 emails consecutivos sem abrir, é removido automaticamente, independente do período de tempo.
O impacto direto: manter taxa de abertura acima de 25% garante alocação no melhor servidor de IP compartilhado do ActiveCampaign (servidor tier 1), onde a entregabilidade é significativamente superior. Abaixo de 10%, o usuário cai no pior servidor, onde vizinhos com práticas ruins podem arrastar todos para o spam.
Funis Completos em Minutos
Com o Pulse ativo, Laschuk demonstrou a criação de funis de email para um cliente real — o Chef Enzo Neto, top 3 na Hotmart, com o produto "Cozinha da Panela Só" (ticket de R$497/mês). O processo começou no módulo de Produtos: ao colar a URL do checkout da Hotmart e a URL da página de vendas, o EmailHacker.ai extraiu automaticamente todos os dados do produto, raspou o conteúdo completo da página de vendas, classificou o conteúdo com IA e gerou embeddings vetoriais para 27 chunks de texto.
Com o produto cadastrado, o funil de carrinho abandonado foi criado em 3 etapas: selecionar o design system (Brand DNA), escolher o produto e a oferta, e clicar em "Gerar Automação". O EmailHacker.ai produziu o primeiro email com identidade visual consistente e publicou a automação diretamente no ActiveCampaign — incluindo trigger por tag de carrinho abandonado, sequência de envio com tags do Pulse integradas, e goal de compra aprovada que remove o contato ao converter.
O upgrade para nível 2 adicionou 5 emails extras à sequência (storytelling, escassez, última chance), totalizando 6 emails. O upgrade para nível 3 adicionou a sequência de downsell — quando o lead não compra após 7 emails, recebe uma oferta com desconto (de R$597 por R$147).
Ao final, foram criados funis de carrinho abandonado, upsell pós-compra (Cozinha da Panela Só → Café Minuto por R$247), downsell, Pix/boleto gerado, cartão recusado e compra expirada — para 2 produtos diferentes, totalizando mais de 60 emails automatizados publicados no ActiveCampaign em uma única sessão.
O Bug do Google Analytics
Durante a criação dos funis ao vivo, Laschuk descobriu que todas as campanhas estavam sendo criadas com Google Analytics ativado por padrão. Para um afiliado que depende de UTM tracking próprio para receber comissões, o Analytics do ActiveCampaign sobrescreve os parâmetros e elimina a atribuição de venda.
A investigação foi conduzida por um swarm de agentes do Claude Flow — múltiplos terminais rodando em paralelo, cada um testando uma variação diferente do campo `analytics` na API de criação de campanhas. Três campanhas de teste foram criadas com variações: `analytics: 0`, `analytics: "0"` e `analytics: null`. A solução confirmada foi `analytics: 0` como inteiro no payload do `POST /campaigns`.
O fix foi aplicado nos 3 pontos de criação de campanhas do código (disparo manual, funis e upgrades), deployado via `git push`, e validado com uma nova automação que confirmou zero Google Analytics nas campanhas geradas. Uma descoberta que a documentação oficial do ActiveCampaign não menciona, registrada no Brain do projeto para referência futura.
Resultado: 30 Beta Testers, 11 Projetos, R$0 em Receita
A Stream 1 do EmailHacker.ai encerrou às 01h da madrugada com números concretos: 30 beta testers cadastrados na plataforma, 11 projetos entregues em produção, e R$0,00 em receita rastreada — porque a ferramenta acabara de ser lançada e nenhuma venda via email havia sido processada ainda.
Os 11 projetos entregues foram: Perfil Público (sistema de identidade por @instagram), Extração de Vídeo (scraping de páginas de vendas para RAG), Beta Testers (fluxo de cadastro com créditos iniciais de 100 pontos), Dashboard com receita em tempo real, Leaderboard público com ranking de vendas por email, Documentação e Guia de uso, Mapa de Funis visual no estilo canvas, Missões de Onboarding com recompensa em créditos, MCP Server customizado com 25+ ferramentas para ActiveCampaign, Segurança Admin (proteção de dados sensíveis durante streaming), e Cockpit Redesign (painel de controle do projeto).
O stack técnico usado na construção: Next.js 16 com App Router, React 19, Tailwind CSS v4, Supabase Auth com cookie-based sessions, Claude Code com modelo Opus 4.6 para estratégia e Sonnet 4.6 para codificação, e deploy via Coolify em VPS própria. O custo estimado por email de funil gerado ficou em torno de R$2 em tokens da Anthropic — um investimento que Laschuk absorveu durante o beta para que os primeiros 100 usuários pudessem usar gratuitamente.
A meta coletiva de R$1.000.000 em vendas por email estava oficialmente aberta. As automações estavam ativas, o Pulse monitorando, e o primeiro email de build-in-public já havia sido disparado para 3.400 contatos. Os R$337 em vendas rastreadas chegariam em menos de 48 horas, na Stream 2.